O cenário político paraibano ganhou mais um capítulo daqueles que prometem muita repercussão, mas podem terminar entregando pouco resultado prático. A declaração de Carlos Lupi de que o PDT não seguirá mais apoiando Lucas Ribeiro, caso confirmada nos termos anunciados, contrasta com a posição que o próprio dirigente nacional do partido vinha defendendo meses atrás.
Em maio, Lupi esteve na Paraíba, participou da posse da nova direção estadual do PDT e não apenas confirmou a aproximação com Lucas Ribeiro como defendeu publicamente o nome de Rafaela Camaraense para ocupar a vaga de vice na chapa governista. Na ocasião, chegou a classificar Rafaela como alguém que “complementa” a chapa de Lucas. (PDT – Nacional)
Agora, o discurso mudou. Mas há um detalhe curioso: Rafaela Camaraense continua ao lado de Lucas Ribeiro.
Ou seja, se a intenção do PDT nacional era produzir um grande abalo no projeto governista, o efeito até agora parece mais próximo de uma marola do que de uma onda.
Na prática, a principal liderança pedetista que vinha sendo apresentada como elo entre o partido e o projeto de Lucas permanece no mesmo campo político. E isso reduz bastante o tamanho do suposto prejuízo eleitoral provocado pelo rompimento.
Muito barulho por poucos segundos
A situação fica ainda mais curiosa quando entra em cena a discussão sobre o tempo de propaganda eleitoral.
Segundo a articulação atribuída ao PDT, a legenda estaria tentando negociar cerca de 26 segundos de tempo de televisão. Se esse for o principal patrimônio político que restou da separação, o episódio ganha um certo ar de negociação de balcão: rompe-se uma aliança, mas logo aparece a calculadora para saber quanto tempo de TV está disponível.
Para Lucas Ribeiro, portanto, o cenário pode ser menos dramático do que parece.
O governador mantém sua estrutura política, enquanto Rafaela Camaraense continua vinculada ao projeto. E, diante disso, o rompimento de Lupi pode acabar sendo lembrado muito mais pelo barulho produzido nos bastidores do que por algum prejuízo concreto à candidatura governista.
Da “complementação” ao rompimento
O contraste não deixa de ser curioso.
Em maio, Lupi dizia que Rafaela era uma mulher “jovem e muito preparada” e que sua presença representaria uma complementação para a chapa de Lucas. O próprio PDT oficializou naquele período a indicação de Rafaela para a vice e apresentou a aproximação com o governador como parte da estratégia eleitoral da legenda. (PDT – Nacional)
Pouco tempo depois, a conversa parece ter mudado completamente.
Resta saber se o eleitor paraibano enxergará o movimento como um verdadeiro rompimento político ou apenas como mais uma rodada de negociações típicas do período pré-eleitoral.
Por enquanto, a cena tem uma peculiaridade: Carlos Lupi diz que o PDT sai, enquanto Rafaela Camaraense fica.
E, para Lucas Ribeiro, convenhamos, perder 26 segundos de televisão pode ser bem menos preocupante quando a principal personagem que o próprio PDT queria colocar na chapa continua caminhando ao seu lado.